domingo, 10 de julho de 2011

Especial TV CRUJ: Entrevista com o Chiclé (Leonardo Monteiro)


Leonardo Monteiro estreou na TV CRUJ assim que o programa começou. Seu personagem, Guelé, era o irmão mais novo do presidente e fundador do CRUJ, Juca (Diego Ramiro). Enquanto o irmão tramava com o amigo a invasão do sinal de uma TV, o elétrico garoto desobriu os planos e exigiu fazer parte do comitê. Com um bigode, sobrancelhas e óculos falsos, ele passou a ser conhecido como Chiclé, até então o membro mais novo do programa.


A personalidade de Guelé era baseada na do seu intérprete: um garoto inteligente e agitado. Fã número 1 do irmão, uma das frases mais repetidas pelo personagem era "Meu irmão, meu idolo!". Guelé era colega de escola de Ana P, também conhecida como Pipoca (Danielle Lima). Em 2001, com a reformulação do programa e a ida para os sábados, o personagem nomeou-se presidente do CRUJ, implantando um novo vocabulário que substituía termos como "companheiro" por "carbonário" e "se pluga" como "conecta".

Leonardo Monteiro foi um dos poucos integrantes que durou do início ao fim do programa. Antes de interpretar Chiclé, o ator havia trabalhado em comerciais e fez participações em duas novelas do SBT, "Os Ossos do Barão" e "Sangue do Meu Sangue". Após o fim do Disney CRUJ, ele deixou a carreira de ator para se dedicar aos estudos, cursando Engenharia Mecatrônica na USP, e durante dois anos dando aulas no cursinho da Poli-USP.

Saiba mais sobre a trajetória do eterno Cruj na entrevista que se segue...

Com quantos anos você estreou na TV CRUJ?

O CRUJ estreou em abril de 97... Eu completei 10 anos em fevereiro, e foi no comecinho, estavam começando as gravações.
Como foi sua entrada no projeto?

Um detalhe da minha entrada no programa, é o seguinte: quando começaram os testes, tinham dois personagens, o Caju e o Macaco. Eu estava fazendo teste para interpretar o Caju. A idéia inicial do Cao Hamburger era ter dois personagens. E quando eu entrei para fazer os testes, eu não sei quantos garotos eram no começo... acho que mais de mil. Quando eu cheguei, só tinha uns cem, mais ou menos, porque a televisão corre muito de indicação, como todos sabem... E eu já tinha feito um curta-metragem com a Ana Muylaert, que foi uma das roteiristas idealizadoras do programa. Aí ela me indicou, ela já me conhecia, eu estava há muito tempo na televisão, e eu fui fazer o teste pro Caju. Fui fazendo, eu e o Diego Ramiro, e aí a partir de certo momento já tinham escolhido o Macaco, que seria o Caíque [Benigno], e o Caju ficaram em dúvida, entre eu e ele. Aí eu tinha um negócio que eles queriam, o Diego tinha outro perfil que eles gostavam, e ficavam nessa indecisão. O programa ia estrear em menos três meses, acho, e eles tinham que escolher... Aí falaram: ‘olha, já sei, vamos criar um personagem novo'. E aí criaram o irmão do Caju, que era um pouco mais novo que ele - que era eu - e aí tiveram que adaptar um pouquinho os primeiros episódios, o figurino e um pouco da história, e eu entrei no programa, e eles escolheram ficar como Diego e eu, e foi bem bacana.

Você já era ator ou foi sua estreia na televisão?

Não foi minha estreia na televisão, eu comecei na televisão com 7 anos de idade. Eu fazia propagandas, comerciais... Então eu fiquei dos meus 7 aos 10 anos fazendo propagandas, aí com 10 eu entrei no CRUJ, e não fiz mais propagandas. Fiz bastantes propagandas, fiz umas duas participações em novelas, fiz um curta-metragem (que eu vou comentar mais pra frente) com a Ana Muylaert.


No começo vocês imaginavam que o programa faria aquele sucesso todo?

Olha, é difícil imaginar se uma coisa vai fazer sucesso ou não. Ainda mais você com 10 anos de idade, que nem estava realmente pensando muito nisso. Sei lá, sabe, não foi uma superprodução de Hollywood, que você tem tendências a acreditar que vai fazer sucesso, mas também não foi uma coisa pequena... Eu acho que foi uma coisa bem pensada, e como quem idealizou, quem criou, foram pessoas que já estavam no meio infantil há muito tempo, de muito sucesso, então essas pessoas tinham a noção de que o programa ia fazer sucesso. Eu realmente não tinha, eu acho que os meninos também não tinham, e foi uma surpresa enorme, né! Durou muito tempo, então foi uma coisa que realmente surpreendeu. Eu realmente não esperava que ia fazer tanto sucesso! Hoje eu penso, e realmente a ideia era muito boa, não tinha nada parecido na época em relação à programação infantil. Não tinha criança – no nosso caso “ultra-jovens” – apresentando desenhos que gostavam pra crianças mesmo, muito menos reivindicações de crianças. Era uma idéia diferente, que foi muito bacana, e foi muito bem aceita por todo mundo.

Foi difícil para você lidar com a repercussão?

É complicado falar sobre essa parte da fama e do assédio, quando você lida com isso. Mais uma vez, eu era uma criança, 10, 11, 12 anos, e como o programa fez bastante sucesso, a gente tinha muitos fãs mesmo. Só que essa parte da fama é bem delicada... É aquela coisa, tem o famoso clichê: “as pessoas não conseguem entender que você é uma pessoa normal”, e é verdade, as pessoas não entendem! E quando elas te olham, elas ficam, “ahh”... e tudo o que você faz é extremo, então você tem uma reação, elas “ohh”, elas exageram muito. Então tem que tomar muito cuidado ao lidar com isso. E eu fui aprendendo isso aos poucos, não é que eu não gostava. Então eu evitava ficar perto de muita gente... sabe, quando vinha eu conversava, dava um autógrafo, tirava uma foto, e tudo mais, só que no começo pelo menos eu tentava evitar um pouco. Com o tempo você vai aprendendo a lidar e vê, realmente você entende como funcionam as coisas e vai tentando aos poucos...

No geral, como era sua relação com os colegas de elenco?

O programa durou uns 6 anos, e agente gravava umas duas, três vezes por semana, toda semana, então a gente tinha uma amizade muito forte... Eu via muito mais eles do que muitos de minha família, ou meus amigos, então tinha uma intimidade muito forte. A gente se conhecia muito bem, e era uma amizade muito legal, a gente tava começando uma coisa nova juntos, e realmente era uma coisa muito bacana. Claro, eu via como um trabalho, eu tinha responsabilidade, mas eu me divertia, brincava, e tal, e era muito bacana, e a gente tinha uma amizade (ainda tenho, mas hoje a gente se vê bem pouco), mas era uma coisa bem legal, e isso eu sinto falta mesmo!


O Guelé era um menino inteligente, hiperativo, mas às vezes um pouquinho chato. Alguma característica do personagem foi herdada de você?

Obrigado pelo chato! Tô brincando... Eu concordo que o Guelé era tudo isso que você falou mesmo, extrovertido, hiperativo e às vezes chato, aliás, muitas vezes... Ele tinha um jeito de falar muito forte, a opinião dele era um pouco extremista, também, então o personagem tinha isso. Se tem alguma coisa de mim? Tem tudo de mim, na minha infância eu era exatamente isso, até hoje eu sou exatamente isso... Por isso que eu fico brincando: eu não atuava, eu ia lá e brincava, eu era eu mesmo, e falava um monte! Eu acho que eu era o mais parecido com o personagem, até porque, foi o que eu disse: o personagem Guelé foi inspirado em mim, porque eles criaram outro personagem para o programa, e basearam em mim, falaram ‘olha, o personagem tem que agir como ele’. Então eles viram como eu era, extrovertido, hiperativo, chatinho, e criaram o personagem... Então eu acho que com certeza tem muito de mim no Guelé!

Junto com Diego Ramiro, você foi o integrante que ficou mais tempo no programa, do começo ao fim. Nesse período, vocês fizeram muitos especiais e até viagens à Disney – que deixavam o telespectador com água na boca. Qual foi a viagem mais marcante para você?

A gente realmente viajou muitas vezes para a Disney. Eu acho que como o programa era da Disney, todo especial que tinha, Natal ou aniversário do CRUJ, a gente conseguia ir pra lá... Se não me engano a gente foi seis ou sete vezes com o CRUJ pra lá, e as viagens duravam de 15 a quase 20 dias, e eram - como todos devem imaginar - sensacionais! A gente gravava bastante, todos os dias, de manhã até a noite, só que você estava lá no parque gravando, e falavam ‘olha, esse aqui é tal parque, o Magic Kingdom, esse aqui é o brinquedo, vamos lá gravar’... Tinha umas historinhas também, era muito legal! Toda criança sonha em conhecer a Disney, e a gente conheceu bastante, e realmente era muito bom!
Eu não vou lembrar de uma viagem que foi muito marcante, todas as viagens foram muito legais, então elas acabam se misturando na minha cabeça, também. Eu não lembro de uma específica em tal ano, eu lembro que foram várias, eu lembro hotéis que a gente ficou, momentos muito engraçados que a gente passou, os parques que a gente visitou... Então tiveram momentos muito legais com todos integrantes e a produção também, e eu acho que todas as viagens na minha cabeça são uma só, sabe, todas elas juntas formam um bolo na minha cabeça de viagens para a Disney, que é muito bom... E relembrar isso é muito divertido!

No ano 2001, o programa foi transferido para as manhãs de sábado. Além do horário, o formato também sofreu alterações, tornando-se praticamente uma novela. Como você e o restante do grupo encararam as mudanças?

O que é que aconteceu? Nosso programa, o Disney Club, ele chegou ao Brasil no formato de TV CRUJ, para divulgar a Disney no Brasil, como tinha em vários outros países. E aí passar os desenhos da Disney e tudo mais, mostrar como era a Disney... Em 2000 chegou o Disney Channel, canal da Disney que fazia exatamente o que a gente fazia – era nossa função, com muito mais coisas no canal, claro. Então nosso programa meio que perdeu a sua “utilidade principal”. Aí foi encerrado em 2000 (dezembro, se não me engano), e aí, por outros motivos, o programa voltou. Só que voltou, já tinham “tomado” nosso horário, e aí seria complicado voltar da mesma forma, e eles transferiram para sábado, semanal, e aumentaram – o programa era de uma hora de duração, foi para duas horas... Eu não sei de quem foi a ideia, ou por que fizeram, de tornar uma coisa mais novela. Eu acho que, por ser sábado, só uma vez por semana, tinha a intenção de tentar captar mais o público, então, tentar tornar uma coisa mais contínua, tipo uma novela. Porque na época que era diário o programa, um dia não tinha muito a ver com o outro – você podia assistir um dia e não precisava assistir o outro pra entender as coisas que aconteciam... se perder hoje assiste amanhã... Quando mudou para um dia por semana, o cara tinha que assistir um programa para entender o outro. Isso também às vezes atrapalha, porque o pessoal vai, não entende e fala ‘ah, não gostei’, e não assiste mais - mas eu acho que tinha um público muito fiel de sábado também. E eu acho que foi bacana também, fazer. Algumas pessoas não gostam, falam ‘ah, eu gostava quando era todo dia, quando passou pra sábado eu não gostei muito’... eu acho que é também porque você começou a crescer, né, e o programa era infantil... eu acho que a faixa etária era de 5 até 12, 13 anos. Então o público que acompanhou a gente começou a ficar mais velho, e não queria assistir, queria assistir outras coisas, sair... então por isso que eles têm essa impressão de que não foi legal. Mas eu acho que foi bem bacana, sim, foi bem legal!

Nessa nova fase, o Guelé havia se tornado o novo presidente do CRUJ, e já chegou mudando tudo. O plano era aos poucos ir substituindo o elenco mais velho por integrantes mais novos?

Não, eu acho que não. A ideia não era essa. Quando o Guelé assumiu é porque o programa voltou, e a justificativa dentro do programa era que a antena tinha quebrado, estava todo mundo com muito compromisso, ninguém tinha um pouquinho mais tempo para o CRUJ, e não estavam conseguindo conectar. O Guelé foi o único que não abandonou e ficou lá preso (na história) durante dois ou três meses dentro do CRUJ, sem tomar banho, sem escovar dentes, sem fazer nada, e ele decorou um dicionário, leu muitos livros... E quando o programa voltou ele falou: ‘olha, todos vocês abandonaram o CRUJ, quem não abandonou fui eu, quem manda aqui sou eu’, e assumiu, ficou durante um tempo líder, um ditador nato lá, e acabou sendo deposto...
Não, o plano não era substituir. Tanto que o elenco inteiro voltou, o Di, a Ju, voltaram também, e aí todo mundo estava junto e foi até o fim. Então acho que a ideia não era substituir... A ideia foi pra dar uma continuidade nesses dois, três meses de break que teve no programa.

E a TV TRUB, o que você achava da versão antagônica da TV CRUJ?

Nos episódios diários da TV CRUJ, a gente sempre comentava ‘ah, os garotos da turma da rua de baixo não deixam a gente jogar bola no campinho’, ou ‘tão arranjando encrenca na escola’, tinha sempre a “Turma da Rua de Baixo”... E a partir que começou a ser de sábado o programa, teve a ideia de introduzi-los à história de verdade, e a gente fazia a versão antagônica dos personagens do CRUJ. Tinha a Carla Carcará, que era a líder da TRUB, era a Ju que fazia (a Maluca), o Ramela, que era um tipo super engraçado, que foi muito marcante pro Di também, eu fazia um personagem mais secundário da TRUB, que era o Felipe Fedido, tinha a Dani, que fazia a Maria Mole, o Rico também fazia um personagem lá na TRUB – mas acho que a Carcará e o Ramela foram os principais da TRUB... Era mais uma vertente para a gente explorar no programa, e acho que foi bem bacana. Explorou muito mais essa parte mais de atuação dos dois (minha também um pouquinho, mas mais dos dois), e foi muito bacana, a gente se divertia nas filmagens...

Com certeza devia se muito divertido – e ao mesmo tempo muito cansativo – participar do programa. Do que mais você sente falta da época de ultra-jovem?

Falar do que sente falta é complicado, porque eu fui um dos únicos que largou a carreira artística e fui pra outra área. Claro que eu sinto falta do meio artístico, de atuar, de - no meu caso - me divertir bastante lá. Mas foi uma escolha que eu fiz, e eu estou muito feliz com essa escolha. O que eu sinto falta mesmo... é a mesma coisa se eu perguntar pra você sobre um amigo que você não vê há muito tempo, um amigo que você tinha na 5ª, na 6ª série, e que você não vê mais... sabe aquele seu amigão que você não vê mais porque mudou de cidade, ou porque mudou de escola, ou porque mudou de vida totalmente? Então isso é o que eu mais sinto falta, porque foram 6 anos de muita amizade. O Di era realmente meu irmão de verdade, a Ju, toda a produção... Então eu sinto falta da convivência com eles! A gente se conhecia muito bem, a gente se entendia muito bem. Eu acho que a gente deveria se ver mais... a gente tentou marcar alguns reencontros, mas tá todo mundo na correria, então fica mais complicado. Mas eu sinto falta mesmo!

Depois que acabou o Disney CRUJ, você sumiu da televisão. Não tentou investir na carreira artística?

Acho que no último ano do CRUJ, eu já tinha falado que aquele seria meu último trabalho como ator, porque eu tinha decidido seguir outra carreira – fazer engenharia. Como eu já tinha decidido que assim que acabasse ia ser meu último trabalho, quando acabou eu falei ‘ah, eu realmente não vou querer mais’, então eu não busquei mais nada na televisão... Muitos perguntam por que é que eu mudei de área, fui pra engenharia. Foi uma decisão longa e tal, várias coisas influenciaram, mas basicamente eu coloquei na balança o que eu mais queria fazer da minha vida dali pra frente (eu tinha 15 pra 16 anos): ‘O que eu quero fazer na minha vida de verdade?’ Aí eu botei os pontos positivos disso, daquilo, os negativos, e fiz uma escolha, e estou muito feliz de verdade fazendo engenharia.

Mas você faz planos de um dia voltar à TV?

Não, eu não tenho planos de voltar para a televisão, pelo menos por enquanto. No futuro, a gente nunca sabe o que vai querer da nossa vida... Pode ser que daqui a 10 ou 15 anos eu queira fazer de novo, queira voltar ou queira ser astronauta, qualquer coisa, mas por enquanto não...

Pelo que eu soube, você se tornou professor de cursinho. Seus alunos lembram de você como o Chiclé da TV CRUJ, ou não são daquela geração? É comum ouvir piadinhas relacionadas ao programa?

Eu estou fazendo Engenharia Mecatrônica, trabalhei no último ano no cursinho da Poli, fiquei durante dois anos lá, como professor para entrar na universidade. E a faixa etária dos alunos vai dos 18 aos 20 anos – uns mais novos, uns mais velhos... e o pessoal lembra sim. Inclusive no horário deles tá lá “professor CRUJ”, que é meu apelido na faculdade... Muitos outros amigos já me chamavam de Cruj também, e foi de boa! Em relação a piadinhas, o tempo inteiro... quando as pessoas descobrem ou já sabem que você é do programa, cada uma tem uma reação diferente: umas ficam surpresas e não conseguem olhar pra você, outras vão lá correndo pedir autógrafo, outras ficam encantadas, outras ignoram, te chutam, outras ficam fazendo piadinha, outras ficam te provocando, outras falam os bordões, ‘cruj, cruj, cruj, tchau’... São várias reações que as pessoas tomam, e eu depois de tantos anos... o programa acabou em 2002, faz oito anos... então eu já consigo balancear as coisas e entender esse o que é negócio de piadinha e levar numa boa. Às vezes você tá de boa, de mal humor, estressado, só que é normal, e a gente tem que levar. Foi o que eu falei de você aprender a lidar com a fama e os cuidados que você tem que tomar.

E os antigos “carbonários”, como anda a relação com eles hoje?

Foi o que eu falei, a gente se afastou muito, porque cada um foi para uma área, inclusive eles que continuam na área artística, cada um tá num ramo - um dirigindo, outro dublando... É muito difícil a gente se falar, se encontrar. A gente tenta, nos aniversários, ligar... E eu fico muito mal com isso, eu realmente queria encontrá-los mais, e não só esporadicamente, ou por coincidência, ou em algum evento. Realmente eu queria que o meu contato com eles fosse mais forte, e eu espero que depois dessa entrevista a gente se toque! Eu espero que nessa pergunta todos falem que queriam ver mais os companheiros, e a gente se ligue mais e se fale mais, porque eu sinto muita falta disso.


Ao perceber que se tornou um ícone da infância de muitos marmanjos – como os que estão lendo este especial – você se vê como um “ultra-velho”? Qual seria a diferença entre ultra-jovem e ultra-velho?

A diferença entre ultra-jovem e ultra-velho – a gente sempre brincava, sempre falava isso no programa, porque tinha muitos adultos que mandavam cartas e falando que ‘não, eu queria assistir e não queria ser ultra-velho’, e a gente falava que eles tinham espírito ultra-jovem, tem esse lance... Ultra-jovem é aquela pessoa que reivindica os direitos, que respeita as outras pessoas e que tá a fim de se divertir, mas ao mesmo tempo estuda... E ultra-velho é o cara que esqueceu esses valores e ficou velho. Tem crianças que são ultra-velhas.
Se eu me sinto ultra-velho? Não, eu sempre busco esse espírito dentro de mim. Como eu sou super agitado também, e falo pra caramba, eu sempre tenho esse espírito ultra-jovem mesmo. Eu acho que eu tenho dentro de mim ainda, eu espero que quando eu perder alguém me lembre, meu filho ou meu neto, ou minha filhinha, me lembre: ‘pô, pai, você já foi ultra-jovem um dia, lembre dos bons tempos, deixa eu fazer alguma coisa’, e reivindique os direitos... que eu lembre e volte a ser ultra-jovem, que é muito bacana!

Para finalizar, gostaria de agradecer por ter se colocado à disposição para esta entrevista, e aproveitando, pedir que deixe uma mensagem para os fãs da saudosa TV Cruj que estão lendo este especial.

Bom, eu fico muito feliz de poder falar um pouquinho e explicar como foi a minha participação no programa. Eu sei que foi um programa que muitos gostavam de assistir. Eu acho que quem tá lendo o blog vai ficar com muitas saudades do programa. Eu tenho algumas fitas gravadas, o Di me emprestou algumas fitas do programa e eu tô colocando no YouTube agora alguns episódios para a galera relembrar e ver como era bacana assistir... Algumas pessoas vêm pra mim e ‘olha, eu chegava da escola e comia um tomate assistindo seu programa’, ‘eu comia um miojo’, ‘minha mãe mandava eu jantar eu mandava ela esperar pra eu assistir’, ‘eu sentava na poltrona do meu pai para assistir’, e é muito bacana, você vê que as pessoas realmente curtiam muito, que era uma ideia legal o programa... Então eu queria mandar um abraço pra todos vocês. Um grande beijo pra todo mundo que assistiu o programa e que tá lendo esse blog, tá lendo essa entrevista, se emocionando, e tá relembrando os velhos tempos. Queria dizer que eu fui muito feliz fazendo o programa, de verdade. Era uma ideia muito legal, eu como ator me sinto realizado de ter feito o programa, eu sinto muitas saudades de tudo o que passou, e eu tenho muito orgulho de tudo o que eu fiz e de tudo o que eu representei pra todo mundo.
Eu espero que surjam programas similares, daqui pra frente eu espero que a programação infantil melhore no Brasil, que eu acho que é meio complicado. Um grande beijo e abraço pra todo mundo que tá lendo o blog Opinião & Opção!

Para encontrar o ator no Orkut ou Facebook, procure: Leonardo Sierra Monteiro. No Twitter, siga: @cruj_
Youtube: hsdleo.


Saiba mais sobre o primeiro presidente do CRUJ, Caju. E não pense que para por aqui, ainda teremos mais entrevistas e informações sobre os demais personagens do programa!

12 comentários. Só estou esperando o seu...:

@blogaritmox disse... [Responder]

O Leonardo tem pelo conhecimento do que representa o Cruj para o telespectador da época. E lida muito bem com isso. Legal que ele amadureceu dessa forma, mesmo não tendo investido na carreira artística.

Sobre a falta de contato com os amigos do programa, eu sei bem o que ele quer dizer. É difícil ter que aceitar a distância de certas pessoas que fizeram parte do seu passado. Enfim, é seguir em frente.

Abraços

Aline disse... [Responder]

Poxa, ele foi o mais sincero na minha opinião. Mas infelizmente a vida é assim, pessoas marcam nossa história mas vão ficando para trás. Bola pra frente!

T. Lessa disse... [Responder]

Mais uma excelente entrevista! No aguardo das próximas (acho que só falta uma,c erto?)

Mr. TV disse... [Responder]

eu adorava o chiclé, mais do que todos lá!! falta programa de qualidade para as crianças. falta!!!

Anônimo disse... [Responder]

Muito legal estas entrevistas, o Cruj realmente representou a infância dos anos 90. É uma pena que a emissora que transmitiu o programa, o SBT, tenha apagado tanto esta atração, não fazem como esta fazendo este blog: Um programa especial de entrevistas com os integrantes (Todos!), e assim, muito mais marmanjos poderem relembrar este bom tempo. E a pivetada de agora ia conhecer tambem, assim como nós sempre ouvimos falar do balão mágico, dos anos 80. Seria um ótimo reencontro pra esse pessoal matar a saudade.

Anônimo disse... [Responder]

...tudo de bom!!!que maturidade! Parabéns LEONARDO! Gostaria que entrevistassem também a mãe deles no Programa, aquela que só mostrava a voz ecoando pela casa! Um abraço à todos, e parabéns pelo Blog.

Anônimo disse... [Responder]

Parabéns Leonardo! Pra mim o "Chiclé" foi um personagem que significou muito junto com o Zé e os caras!
Abração!

Anônimo disse... [Responder]

Nossa! Muito legal relembrar o passado. Dá saudade, mas também uma vontade enorme de fazer o futuro muito melhor...

Anônimo disse... [Responder]

Nossa! Muito legal relembrar o passado. Dá saudade, mas também uma vontade enorme de fazer o futuro muito melhor...

Mari...Ana =) disse... [Responder]
Este comentário foi removido pelo autor.
mariana disse... [Responder]

Que ACHADO este blog meu! Nostalgia TOTAL ao ver essas entrevistas com os companheiros da Tv Cruj! Olha, eu me sinto privilegiada por esse programa ter feito parte da minha infância ultra-jovem! Posso dizer de boca cheia que este foi o melhor programa de todos os tempos! Muita saudade mesmo! Deveriam reprisar e passar os tais episódios que nunca foram ao ar! Seria MÁGICO!
Sobre os atores, realmente o "Chiclé" foi (e agora sei que CONTINUA sendo) o mais autêntico ultra-jovem meu! Eu sempre achei o espírito eufórico dele tão real! Huahauhaua, fiquei feliz em saber que o personagem foi inspirado no próprio ator, porque isso quer dizer que O CHICLÉ EXISTE! \o/
Muito bacana ver através dessas resposta que o tempo passou e as coisas mudaram, mas o nosso grande Chiclé continua aí! Nos identificamos com você, nós, os que jamais abandoram a Tv Cruj!

senna889091 disse... [Responder]

senna889091 disse...

a melhor entrevista junto da malu até agora

esse pegou a batente ultra jovem até hoje. vlw

e façam uma entrevista com o diego ramiro!

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